Stefano Oppo de corelens
21 Oct 2025 Notícia Chemicals & pollution action

Brasil lança iniciativa global para promover soluções circulares e reduzir a poluição por plásticos nos setores de alimentos, bebidas e…

Stefano Oppo de corelens

Salvador, Brasil, 21 de outubro de 2025 – Esta semana, representantes de 15 países da África, Ásia e América Latina se reúnem em Salvador (BA) para a primeira Conferência Anual Plastic Reboot, um fórum global para promover soluções circulares focadas em reduzir a poluição plástica.

O evento, organizado pelo Governo do Brasil, em parceria com o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), é um marco importante para o programa global Plastic Reboot. A iniciativa de US$ 108 milhões combate a poluição plástica por meio de uma abordagem de ciclo de vida; desde a produção até seu uso e descarte, limitando os problemas potenciais causados por produtos plásticos em todas as fases de seu ciclo de vida.

"Enquanto aguardamos a retomada das negociações de um tratado global sobre plásticos, estou feliz em ver o Brasil usando os recursos do GEF para assumir um papel de liderança global na busca de soluções circulares para a poluição plástica", disse o CEO e presidente do GEF, Carlos Manuel Rodríguez. "A experiência do país mostra o enorme potencial de uma abordagem de 'ciclo de vida completo' para os plásticos, ajudando a traçar uma rota para outras nações que trabalham para acabar com o ciclo de poluição. A primeira Conferência Anual Plastic Reboot marca um momento importante em nossa luta contra a poluição plástica, e é muito significativo que o Brasil esteja sediando este evento, já que seu próprio projeto Plastic Reboot tem muito potencial para transformar o uso de plástico."

Além de ser o país anfitrião, o Brasil está lançando seu próprio projeto nacional Plastic Reboot no evento inaugural. Este projeto nacional se concentra no avanço da circularidade e na redução do consumo e descarte de plástico descartável no setor de alimentos e bebidas. As embalagens do setor de alimentos e bebidas respondem por cerca de 40% do consumo global de plástico, tornando-se um dos principais impulsionadores de resíduos plásticos, especialmente em pontos turísticos. 

O plástico está profundamente enraizado em nossas vidas e economias, e a poluição plástica continua a aumentar. Pesquisas recentes mostram que a abordagem do ciclo de vida, fundamental para soluções circulares, pode resultar em uma economia de US$ 70 bilhões em despesas de gestão de resíduos para os governos e de US$ 4,5 trilhões em custos sociais e ambientais até 2040. 

O projeto nacional Plastic Reboot trabalhará com o setor de hotéis, restaurantes e de buffets para criar uma política e um ambiente regulatório testado nas cidades costeiras. Projetos-piloto serão implementados em cinco cidades brasileiras: Baixada Santista (SP), Belém (PA), Florianópolis (SC), Rio de Janeiro (RJ) e Salvador (BA).

A Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, afirmou: “O Brasil está comprometido em fornecer o apoio necessário às partes interessadas para reduzir e eliminar produtos plásticos descartáveis e gerenciar resíduos plásticos em todo o ciclo de vida do plástico. Ao se concentrar na inovação upstream e na circularidade no setor de alimentos e bebidas, o Brasil espera inspirar uma transformação global. Combater a poluição por plástico não é apenas um imperativo ambiental, mas também um desafio científico e tecnológico que exige cooperação global. Para o Brasil, o MCTI — por meio de sua Secretaria de Políticas e Programas Estratégicos (SEPPE), representada pela secretária Andrea Latgé na conferência — está comprometido em liderar pelo exemplo, promovendo o intercâmbio de conhecimento, apoiando ecossistemas de inovação e promovendo soluções de economia circular que conectam ciência, sociedade e desenvolvimento sustentável.”

Além do Brasil, o programa global Plastic Reboot envolve outros 14 países: Burkina Faso, Camboja, Ilhas Cook, Costa Rica, República Dominicana, Índia, Jordânia, Laos, Peru, Filipinas, Marrocos, Nigéria, Senegal e África do Sul. O programa se concentra em intervenções para reduzir a poluição plástica na fonte – como projetar embalagens para reutilização e reciclabilidade, introduzir incentivos e ferramentas regulatórias como Responsabilidade Estendida do Produtor (EPR) e otimizar as cadeias de suprimentos para minimizar o descarte de plástico. Juntamente com parceiros globais, esses países se reúnem na conferência inaugural Plastic Reboot para compartilhar as melhores práticas e lições aprendidas, discutir caminhos políticos e fortalecer a colaboração em direção a uma economia de plástico mais circular e sustentável.

“Agora é a hora de transformar conhecimento em ação significativa”, disse Inger Andersen, diretora-executiva do PNUMA. “O Plastic Reboot apoia a mudança de que precisamos, impulsionando a inovação e apoiando os governos no estabelecimento de um ambiente político e jurídico propício para acelerar uma transformação da maneira como os produtos plásticos são projetados, produzidos e utilizados. É também um sinal claro da vontade dos Estados-Membros de agir e uma prova do que é possível fazer quando trabalhamos juntos para alcançar uma transformação global para combater a poluição plástica.”

Ao se concentrar na inovação upstream, ou seja, à montante do ciclo de vida, e na circularidade no setor de alimentos e bebidas, o programa Plastic Reboot reflete a disposição dos Estados-membros e demonstra a liderança do Brasil na condução de ações globais para conter a poluição plástica.

NOTAS AOS EDITORES:

Sobre o Plastic Reboot:

O Plastic Reboot é um programa global que visa reduzir a poluição plástica, promovendo soluções circulares upstream e midstream no setor de alimentos e bebidas. Reúne 15 países –África do Sul, Brasil, Burkina Faso, Camboja,  Costa Rica, Filipinas, Ilhas Cook, Índia, Jordânia, Laos, Marrocos, Nigéria, Peru, República Dominicana e Senegal – trabalhando para combater a poluição plástica onde ela começa. Até 2030, a iniciativa visa catalisar mudanças sistêmicas global e nacionalmente, alavancando investimentos, inovação de políticas, engajamento do setor privado e suporte técnico para testar e dimensionar soluções circulares. O programa é financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), coliderado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e implementado com parceiros, incluindo a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Sobre o Fundo Global para o Meio Ambiente: 

O Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) inclui vários fundos multilaterais que trabalham juntos para enfrentar os desafios mais urgentes do planeta de forma integrada. Seu financiamento ajuda os países em desenvolvimento a enfrentar desafios complexos e trabalhar para atingir as metas ambientais internacionais. Nas últimas três décadas, o GEF forneceu mais de US$ 26 bilhões em financiamento, principalmente como doações, e mobilizou outros US$ 153 bilhões para projetos prioritários conduzidos pelo país.

Sobre o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente

O PNUMA é a principal voz global sobre o meio ambiente. Ele promove liderança e incentiva a parceria no cuidado com o meio ambiente, inspirando, informando e capacitando nações e povos a melhorar sua qualidade de vida sem comprometer a das gerações futuras. 

Sobre o WWF:

O WWF é uma das principais organizações de conservação do mundo, trabalhando há 60 anos em quase 100 países para ajudar as pessoas e a natureza a prosperar. Com o apoio de 1,3 milhão de membros nos Estados Unidos e mais de 5 milhões de membros em todo o mundo, o WWF se dedica a fornecer soluções baseadas na ciência para preservar a diversidade e a abundância da vida na Terra, deter a degradação do meio ambiente e combater a crise climática.

Para mais informações, entre em contato com: 

Unidade de Notícias e Mídia, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente

Alexandre Pinheiro Rego, GEF