"Quando estamos mergulhando e pescando, encontramos muitos peixes presos — tartarugas, caranguejos, todos presos dentro do plástico", diz o pescador Sr. Sinho, de Salvador, Bahia.
Ao longo da extensa costa do Brasil, a pesca, o turismo e a vida marinha coexistem lado a lado. Na Bahia, uma das regiões costeiras mais ricas em biodiversidade do país, o oceano sustenta os meios de subsistência locais ao mesmo tempo em que reflete a marca das escolhas cotidianas feitas em terra.
Essa conexão fica ainda mais nítida em cidades como Salvador, onde restaurantes, hotéis e cafés atendem milhões de visitantes todos os anos, muitas vezes recorrendo a itens plásticos de uso único por conveniência e custo.
Alguns estabelecimentos já começaram a mudar essa realidade.
"Ao longo dos anos, começamos a trocar sacolas plásticas por sacolas de papel, copos plásticos por copos de papel; tudo o que fosse possível", explica Renata Proserpio, proprietária de um hotel à beira-mar em Salvador. "Não é uma tarefa fácil porque sacolas plásticaos são quatro vezes mais barataos."
A ação local agora está sendo reforçada pela ambição em nível municipal. Salvador está entre várias cidades brasileiras que lideram um esforço nacional para reverter tendências crescentes de poluição plástica.
"Queremos que a cidade inteira pare de usar plásticos de uso único. Acreditamos que isso será possível em cinco anos", diz Ivan Euler, secretário municipal de Sustentabilidade e Resiliência em Salvador.
Esse impulso local faz parte de um esforço nacional e global mais amplo. O Brasil integra o Programa Plastic Reboot, que conta com um financiamento de US$ 108 milhões do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), é coliderado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF), e é implementado em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO).
O programa foca em soluções circulares a montante e intermediárias, repensando como os produtos são projetados, embalados e usados muito antes de chegarem aos consumidores.
"O Brasil se orgulha de ser um dos 15 países que lideram este programa, envolvendo restaurantes, hotéis, cafés e fornecedores na redução de plásticos de uso único, no redesenho de produtos e na aplicação prática da inovação", afirma Luciana Santos, Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação. Por meio do programa Plastic Reboot, empresas de alimentos e bebidas receberão apoio para adotar práticas que sejam ambientalmente corretas e economicamente viáveis.
A necessidade dessa mudança é clara. O Brasil consome 7,1 milhões de toneladas de plástico todos os anos, das quais 87% são de uso único. Globalmente, pesquisas mostram que uma abordagem circular e de ciclo de vida para plásticos poderia reduzir os custos de gestão de resíduos dos governos em USD 70 bilhões e evitar impactos sociais e ambientais de USD 4,5 trilhões até 2040.
Por meio de soluções a montante e intermediárias, o Plastic Reboot está ajudando a enfrentar o uso de plásticos no setor de alimentos e bebidas em 15 países. Essas soluções contribuirão para a proteção dos ecossistemas marinhos, ao mesmo tempo em que fortalecem as comunidades costeiras e os meios de subsistência de pessoas como o Sr. Sinho.
Para mais informações, assista ao vídeo celebrando o lançamento do projeto Plastic Reboot do Brasil em outubro de 2025.


