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19 Jun 2025 Technical Highlight Climate Action

Apagão na Iberia ressalta a necessidade urgente de Sistemas de Energia locais e favoráveis ao Clima

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Um grande apagão que afetou vastas áreas da Espanha e Portugal em 28 de abril chamou atenção para as vulnerabilidades dos sistemas de energia centralizados e a crescente importância das soluções locais de energia.  

Em apenas cinco segundos, dois terços do fornecimento de eletricidade da região desapareceram em toda a Península Ibérica, na Europa, interrompendo o transporte, as redes de comunicação e os serviços essenciais. O incidente na região expôs as limitações da infraestrutura de rede atual para lidar com a crescente demanda de eletricidade e aumentar a fatia de energia eólica e solar variável para atender às metas climáticas. 

Aumento da pressão nas redes elétricas   

A demanda por eletricidade está aumentando globalmente, alertam os especialistas. Impulsionada pelo crescimento econômico, pela eletrificação do transporte, aquecimento e resfriamento e pelo surgimento de data centers e IA,essa demanda crescente deve ser atendida à medida que as usinas de combustível fóssil - que fornecem eletricidade consistente e controlável - são eliminadas e as energias renováveis variáveis, como eólica e solar, assumem uma parcela maior da matriz. Ao contrário dos combustíveis fósseis, as energias eólica e solar dependem do clima e são mais difíceis de prever, tornando mais complexo manter a estabilidade da rede.  

Historicamente, a resposta tem sido expandir a infraestrutura de transmissão em larga escala e construir usinas de backup mais flexíveis. Mas essa abordagem, de acordo com especialistas, está enfrentando obstáculos, incluindo escassez de materiais, financiamento insuficiente de serviços públicos e a necessidade urgente de se afastar dos combustíveis fósseis para evitar uma catástrofe climática. Além disso, grandes infraestruturas podem ser mais vulneráveis a falhas sistêmicas, como visto na Ucrânia e agora na Espanha, pois criam alvos mais fáceis ou pontos únicos de falha.  

Mudança para soluções de energia local 

Os sistemas de energia locais geram energia perto de onde a energia é consumida, reduzindo a necessidade de infraestrutura extensa e limitando o impacto de falhas externas. Esses sistemas também podem ser integrados a outros recursos e serviços locais, como água, resíduos, aquecimento, resfriamento e transporte, melhorando a eficiência geral e a confiabilidade e, em última análise, reduzindo o custo da energia, dizem os especialistas. 

"Os sistemas de energia locais não são mais opcionais, eles são a espinha dorsal de um futuro energético moderno, seguro e resiliente ao clima", disse Gulnara Roll, chefe da Divisão de Mitigação do PNUMA. "À medida que as redes sofrem com a crescente demanda e as mudanças climáticas, investir em soluções inteligentes e descentralizadas não é apenas uma questão de resiliência, mas de acelerar a transição para a energia limpa."   

Já existem exemplos dessa integração. Em Estocolmo, na Suécia, o calor residual, a bioenergia e as energias renováveis locais são operados de forma integrada, o que torna cada sistema individual mais resiliente e eficiente. Em Odense, na Dinamarca, o excesso de calor de um data center é usado em sistemas de aquecimento urbano para aquecer edifícios, reduzindo a pressão sobre a rede nacional. 

Reduzindo a tensão, aumentando a resiliência   

Os sistemas de energia locais podem reduzir os picos de carga, oferecer energia de reserva durante emergências na rede, reduzir os custos de energia e ajudar a equilibrar a oferta e a demanda locais. Os sistemas de energia descentralizados também tornam as redes mais resilientes e facilitam a integração de fontes de energia renováveis, de acordo com especialistas. Por exemplo, a Alemanha e a Austrália desenvolveram "Usinas Virtuais", conectando produtores e consumidores por meio de software para estabilizar a demanda. Os pilotos estão em andamento na Índia e no México.   

Outros exemplos incluem o sistema ferroviário da Filadélfia, que muda o uso de eletricidade para horários fora de pico, aumentando a estabilidade da rede e reduzindo custos. O sistema "Flex Alert" da Califórnia incentiva os residentes em locais de alta demanda a reduzir o consumo de energia. Segundo especialistas, esses sistemas podem evitar apagões.   

Reconstruir a Ucrânia com energia limpa e local 

Na Ucrânia, os sistemas de energia locais também são vistos como uma solução para reconstruir a infraestrutura de energia danificada pela guerra do país e cumprir os compromissos climáticos do Acordo de Paris.  

A Ucrânia pretende obter 35% do aquecimento e 25% da eletricidade a partir de fontes renováveis até 2030. Para apoiar isso, o PNUMA e a Agência Internacional de Energia Renovável lançaram um programa plurianual, com financiamento do governo da Itália, que ajudará as cidades da Ucrânia a mudar para aquecimento urbano moderno e limpo, energias renováveis no local e integração mais inteligente entre calor, energia e serviços públicos essenciais. Ainda nos estágios iniciais, o programa apoia as cidades de Kharkiv e Mykolaiv em estudos de viabilidade, planos de energia de dez anos e parcerias com instituições financeiras internacionais para garantir que os projetos sejam financiáveis e atraiam investimentos.   

Um impulso global para soluções integradas de energia local  

O PNUMA está trabalhando com cidades em todo o mundo para dimensionar soluções de energia integradas e locais, atraindo investimentos demonstrando modelos de negócios viáveis, apoiando o desenvolvimento de projetos de energia locais e conectando cidades experientes com cidades emergentes.   

"Com os sistemas de energia enfrentando um estresse crescente devido às mudanças climáticas, maior eletrificação da economia e riscos geopolíticos, as soluções de energia locais não são apenas um plano de backup", disse Roll, do PNUMA. "Elas são um caminho para um sistema de energia resiliente, seguro e ecológico que garante um futuro sustentável."  

 

A Solução Setorial para a crise climática         

O PNUMA está na vanguarda do apoio à meta do Acordo de Paris de manter o aumento da temperatura global bem abaixo de 2°C e visando 1,5°C, em comparação com os níveis pré-industriais. Para isso, o PNUMA desenvolveu a Solução Setorial, um roteiro para reduzir as emissões em todos os setores, em linha com os compromissos do Acordo de Paris e em busca da estabilidade climática. Os seis setores identificados são: energia; indústria; agricultura e alimentação; florestas e uso da terra; transporte; e edifícios e cidades.