Image: Unsplash/Dan Meyers
01 Jul 2025 Notícia Food systems

Transição para um sistema alimentar saudável enfrenta três barreiras principais

Nairóbi, 1º de julho de 2025 – Embora desempenhe um papel essencial na sustentação de bilhões de vidas, o sistema alimentar global não consegue assegurar a saúde, os direitos e, especialmente, a preservação da natureza. Um relatório publicado hoje pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Chatham House destaca que as três principais barreiras — o paradigma dos alimentos mais baratos, a concentração do mercado e as dependências nos caminhos de investimento — precisam ser enfrentadas para alcançar as metas de desenvolvimento sustentável.

O relatório, Desbloqueando a Transição Sustentável para o Agronegócio, explora essas três barreiras – "bloqueios" percebidos, técnicos, institucionais ou econômicos – e o papel que organizações intergovernamentais, instituições financeiras, setor privado e sociedade civil podem desempenhar para removê-los. O relatório é publicado antes do Balanço da Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU +4 (UNFSS+4) de 27 a 29 de julho, co-organizado pela Etiópia e Itália, e dá continuidade a Cúpula sobre Sistemas Alimentares da ONU original em 2021.  

"Com o Global de Biodiversidade, os governos já se comprometeram a reduzir os subsídios que prejudicam a biodiversidade, reduzir a poluição por nutrientes, pesticidas e produtos químicos perigosos e proteger pelo menos 30% da terra e do mar. No entanto, apesar desse impulso político abundante, o sistema alimentar global permanece vulnerável e contribui para a tripla crise de mudança climática, perda da natureza e poluição", disse Doreen Robinson, vice-diretora da Divisão de Ecossistemas do PNUMA. "Liberar o potencial positivo do agronegócio, como mostrado neste relatório, é essencial para alcançar um sistema alimentar sustentável, equitativo e de apoio à saúde."  

Mundialmente, mais de 800 milhões de pessoas enfrentam a fome hoje. Cerca de 30% dos alimentos – da colheita ao consumo – estão sendo desperdiçados. Além disso, dietas pobres contribuem para 1 em cada 5 mortes prematuras e os custos ambientais e de saúde ocultos do sistema alimentar podem chegar a US$ 20 trilhões. O agronegócio – empresas intensivas em capital e insumos envolvidas em cadeias de valor agrícola industrializadas – está no centro desse sistema.  

Os atores privados são fundamentais para o sistema alimentar global. Os mais poderosos entre eles são grandes agronegócios e investidores, com grande potencial para transformar, em escala e velocidade, a forma como os alimentos são produzidos e consumidos.   

Este mercado é sustentado por subsídios, impostos e regulamentações influenciados pela primeira barreira: o paradigma dos alimentos mais baratos, que defende que os alimentos devem ser produzidos e adquiridos a baixo custo, mesmo que isso gere impactos elevados ao meio ambiente e à saúde humana a longo prazo (como o consumo excessivo e o aumento do desperdício). O relatório recomenda mais regulamentação e pesquisa pública para recompensar práticas sustentáveis e aumentar os custos de fazer negócios como de costume. 

Esse paradigma contribui para duas barreiras adicionais, sendo a segunda a concentração de mercado, em que o setor privado pode ser resistente à mudança, concorrência ou inovação disruptiva e limita a agência e a renda dos agricultores. Já a terceira barreira são as dependências da trajetória de investimento, refletindo as tendências estabelecidas nos últimos 80 anos. Essas dependências se concentram em aumentar a eficiência e as vendas, ao mesmo tempo em que aumentam a dependência dos agricultores de sementes, agroquímicos e plataformas digitais controladas por grandes corporações, mas com custos significativos para o meio ambiente e outros objetivos de desenvolvimento sustentável.  

Há uma necessidade urgente de reformar as normas e a tributação para refletir os custos ambientais e de saúde a longo prazo. Isso requer a transferência de subsídios prejudiciais, o aumento dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento públicos, requisitos de transparência e incentivos para proteger o solo saudável, reduzir as emissões e adotar dietas mais saudáveis.

O comportamento do consumidor pode acelerar essas mudanças. Um número crescente de iniciativas lideradas por cidadãos está aumentando a conscientização das práticas do agronegócio e das decisões dos investidores, pressionando por reduções nas emissões nocivas, poluição do solo e da água e melhorias nos valores nutricionais dos alimentos.

Isso levaria ao desenvolvimento de máquinas agrícolas e produtos químicos menos dependentes de combustíveis fósseis, além de uma produção de alimentos mais diversificada, baseada em diferentes paisagens em vez de monoculturas. O processamento de carne poderia se tornar mais lucrativo com a oferta de produtos de alta qualidade, baixo impacto ambiental, alto padrão de bem-estar animal e alternativas como carnes vegetais ou cultivadas em laboratório.

No geral, o sistema alimentar pode evoluir para ser menos dependente de insumos e tecnologias pesadas, tornando-se mais diverso e baseado no conhecimento. O PNUMA está comprometido em promover uma agricultura que fomente a saúde de pessoas, animais e ecossistemas.

NOTAS AOS EDITORES   

Sobre o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) 
O PNUMA é a principal voz global sobre o meio ambiente. Ele fornece liderança e incentiva a parceria no cuidado com o meio ambiente, inspirando, informando e capacitando nações e povos a melhorar sua qualidade de vida sem comprometer a das gerações futuras.   

Sobre Chatham House  

A Chatham House é um instituto de políticas líder mundial, com sede em Londres, com a missão de ajudar governos e sociedades a construir um mundo sustentável, seguro, próspero e justo.

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