Gestão sustentável de bacias hidrográficas

In Fresh water

Visão Geral

A proteção e a restauração dos ecossistemas de água doce exigem o desenvolvimento de uma gestão sustentável, coerente e abrangente de bacias hidrográficas, que revalorize, restaure e reconecte as bacias, trazendo benefícios concretos para atores locais e nacionais.

A proteção dos recursos hídricos é um pilar da sustentabilidade ambiental e é vital para a saúde humana, a prosperidade econômica e a resiliência climática. Desde as nascentes em áreas montanhosas e drenagem em florestas, até rios, áreas úmidas, lagos, aquíferos subterrâneos e, finalmente, zonas costeiras e marinhas, a água doce movimenta-se ao longo de um sistema complexo e interligado, conhecido como ciclo hidrológico global.

Ao longo desse percurso, a água interage com a agricultura, cidades, indústria e paisagens naturais – transportando tanto vida quanto as consequências das formas como gerimos os recursos naturais. Isso significa que os usos insustentáveis do solo, a poluição e a exploração excessiva de recursos em uma área podem gerar impactos relevantes a jusante e entre setores.

Os ecossistemas de água em todo o mundo estão sob crescente pressão devido à má gestão, ao uso excessivo desse recurso e às mudanças climáticas. A rápida expansão urbana e agrícola, as indústrias extrativas e a poluição têm degradado muitos desses ecossistemas. Ao mesmo tempo, a crescente demanda por água, associada ao aumento populacional, à uma governança frágil e ao uso ineficiente dos recursos hídricos tem levado à destruição, à poluição e à perda de funções vitais dos ecossistemas.

As mudanças climáticas intensificam essas ameaças ao alterar o ciclo da água e agravar eventos extremos. Os efeitos cumulativos dessas pressões são visíveis tanto nos sistemas de água doce quanto nas zonas costeiras receptoras. Estima-se que apenas 15% das áreas úmidas do planeta permaneçam intactas, e a conectividade hidrológica em muitas bacias está sendo fragmentada e perdida.

Em 2024, os Estados-Membros reconheceram, por meio da Resolução 6/13 da 6ª Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que o mundo não está no caminho, no ritmo atual, para alcançar as metas globais de água dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030. A Resolução enfatizou a necessidade de implementar a Gestão Integrada dos Recursos Hídricos (GIRH) em todos os níveis. 

A gestão de bacias hidrográficas é um componente central da GIRH. Enquanto a GIRH fornece um marco abrangente para integrar o planejamento do uso da água em múltiplos setores e escalas, a gestão de bacias concentra-se em intervenções diretamente no território da bacia, com foco em benefícios locais e saúde ecológica. 

Projeto PNUMA – Comissão Europeia em bacias hidrográficas no Brasil e na Índia

Este projeto apoia os esforços globais para alcançar o ODS 6, especialmente as metas 6.3.2 (qualidade da água), 6.5.1 (gestão integrada dos recursos hídricos), 6.6.1 (proteção de ecossistemas relacionados à água), para as quais o PNUMA, junto com a Convenção de Ramsar, é organismo custodiante global.

O projeto “Proteção e restauração sustentáveis de rios, zonas úmidas e lagos por meio do planejamento integrado e sustentável da gestão de bacias hidrográficas no Brasil e na Índia” busca consolidar a abordagem de GIRH e aprofundar a implementação de ações em nível de bacia, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das pessoas.

A gestão de bacias no nível de bacia hidrográfica é fundamental para promover bem-estar, fortalecer a resiliência climática e assegurar acesso sustentável à água potável e ao saneamento, além de sustentar meios de subsistência, como a agricultura e respeitar valores culturais, recreativos, religiosos e identitários das comunidades.

Gerir a bacia hidrográfica como um sistema conectado promove a saúde ambiental e a estabilidade socioeconômica – hoje e no futuro.

O projeto parte da premissa de que os ecossistemas de água doce (rios, lagos, brejos, turfeiras, pântanos, várzeas e aquíferos) são interligados e sustentam a saúde planetária e o bem-estar humano. O projeto concentra-se na Bacia Araguaia-Tocantins (Brasil) e na Bacia do Ramganga (Índia) e visa desenvolver uma abordagem replicável e escalável para gestão de bacias, contribuindo para a implementação dos ODS, das NDCs climáticas e das estratégias nacionais de biodiversidade. Com duração de março de 2024 a março de 2026 (com possibilidade de extensão até agosto de 2027).

Ele adota abordagens integradas e participativas, reunindo governos, setor privado, comunidades locais e povos indígenas para discutir desafios do nexo água-energia-alimento-ecossistemas, além de avaliar poluição, sobre-exploração de aquíferos, riscos de inundações e potenciais impactos das mudanças climáticas.

Os ecossistemas de água doce fornecem água para consumo e produção de alimentos, atenuam cheias e secas, além de terem grande valor cultural e espiritual. Porém, industrialização e mudanças climáticas têm comprometido esses ecossistemas. Demandas crescentes por esse recurso, associada a uma governança limitada e o uso predatório tem levado à degradação, poluição e à perda de funções ecológicas. Proteger e restaurar esses ecossistemas contribui para fortalecer a resiliência hídrica – objetivo central do projeto.

O projeto envolverá processos extensivos de consulta e cocriação com governos locais e nacionais, comunidades indígenas e tradicionais, setor privado e sociedade civil organizada. A integração de gênero e diversidade será um foco importante durante todo o processo de implementação dos planos

Um componente chave será a mobilização de financiamento sustentável para implementação de ações prioritárias. As lições aprendidas no Brasil e na Índia serão compiladas e transformadas em um guia e orientações práticas para apoiar futuros planos de gestão de bacias hidrográficas ao redor do mundo.

Parceiros

Liderado pelo PNUMA e Comissão Europeia, o projeto é implementado no Brasil pela The Nature Conservancy – Brasil, que possui grande experiência em projetos de bacias hidrográficas no país. Na Índia, a entidade implementadora é a WWF-Índia, com atuação desde 2013 na Bacia do Rio Ramganga 

Este projeto apoia os esforços globais para alcançar o ODS 6, em especial as metas 6.3.2 (qualidade da água), 6.5.1 (gestão integrada dos recursos hídricos), 6.6.1 (proteção de ecossistemas relacionados à água). O PNUMA, em conjunto com a Convenção de Ramsar, atua como custodiante global desses indicadores.

Assuntos relacionados

Contato

O trabalho do PNUMA em água doce é liderado pela Unidade de Ecossistemas de Água Doce e Áreas Úmidas.

  • Brazil

    The project aims to strengthen integrated and sustainable watershed management in the Alto Araguaia Basin in Brazil. This is through enhancing water governance, improving ecosystem resilience and promoting sustainable development in one of Brazil’s most ecologically and economically significant regions. 

    Coordinated by UNEP and implemented by The Nature Conservancy – Brazil, with financing from the EC, the initiative focuses on strengthening institutional capacity, supporting Nature-based Solutions (NbS), and developing a model that can be replicated in other basins in Brazil and globally. 

    The project responds to the critical environmental and socio-economic importance of the Alto Araguaia Basin, which is in the Cerrado biome; home to 25% of Brazil’s biodiversity and 60% of its agricultural production, and which forms an essential ecological corridor with the Amazon. Despite this importance, key headwaters face increasing anthropogenic pressures, which make integrated governance and restoration interventions urgent. 

    To address these challenges, the project is structured around four interconnected objectives which are:

    • Developing a replicable watershed governance model 
    • Implementing NbS for watershed restoration together with local farmers 
    • Strengthening the Upper Araguaia Watershed governance and support watershed management plans 
    • Facilitating knowledge sharing within and beyond the watershed to support scaling and replication of best practices. 
  • India

    The project aims to advance integrated and sustainable watershed management planning in the Ramganga River Watershed. It focuses on demonstrating integrated, nature-based, and community-led approaches to strengthen basin-level planning, as well as ecosystem resilience in the Ganga Basin. Implemented in the Delha River sub-basin – a 120km tributary of the Ramganga that spans Uttarakhand and Uttar Pradesh – and the Kalewala wetland, the project addresses key water management challenges in an area where 70% of land is used for agriculture, water is heavily diverted for irrigation, and ecological pressures affect both river stretches and connected wetlands. 

    The initiative aims to showcase how nested watershed plans at basin, district and city levels can be operationalised in practice, and in alignment with the Government of India’s Ganga rejuvenation vision and the Ganga Authority Order of 2016. It combines technical agreements, community engagement, and pilot interventions that can later be scaled across the Basin. 

    Activities are being organised around three core objectives, which are:

    • Implementing NbS for key challenges in the Delha River Basin, including basin scans, wetland and stream mapping, and stakeholder engagement.
    • Reviving and co-managing the Kalewala Wetland, with community involvement, wetland health assessments, and improved water practices.
    • Developing SoPs for co-management and NbS, enabling replication across the Ramganga and Ganga basins.
  • Global

    It is anticipated that project activities in both Brazil and India will generate practical models of collective action, build local capacity and document lessons that will feed into global guidance on integrated and sustainable watershed management. 

Partners 

Led by UNEP and the European Commission, the project will be implemented in Brazil by The Nature Conservancy -  Brazil, which has extensive watershed management experience in the country.  

In India the implementing partner is WWF-India, which has been working in the Ramganga River Basin since 2013. 

This project will support global efforts to achieve Sustainable Development Goal 6, in particular targets 6.3.2 (water quality), 6.5.1 (integrated water resources management), and 6.6.1 (protection of water-related ecosystems). UNEP, together with the Ramsar Convention, serves as the global custodian for these indicators.

Relevant materials

Related to Watershed Management   

Contact    

The work of UNEP on fresh water is led by the Freshwater Ecosystems and Wetlands Unit.  

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Última atualização: 08 May 2026, 14:27