UNEP
19 Mar 2026 Technical Highlight Fresh water

Essas quatro mulheres estão ajudando suas comunidades a conservar a água doce

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Pelo mundo afora, as mulheres são as mais afetadas pelos desafios hídricos e pelos impactos climáticos, mas suas vozes continuam sub-representadas na tomada de decisões. Ainda assim, inúmeras mulheres lideram esforços transformadores na prática — protegendo rios, zonas úmidas e ecossistemas de água doce que sustentam suas comunidades.

Neste Dia Mundial da Água, destacamos quatro dessas mulheres, cada uma delas trabalhando em estreita colaboração com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e cuja liderança está promovendo abordagens mais inclusivas e centradas nas pessoas para a conservação da água doce. Suas histórias ressaltam como a proteção e a restauração dos sistemas de água doce se resumem, em última instância, à salvaguarda da saúde, dos meios de subsistência e da dignidade, pois quando a natureza prospera, as comunidades se tornam mais resilientes.

A woman posing for a photo

Promovendo o acesso à água potável e reduzindo a poluição por meio da inovação em engenharia

Noemi Florea é a criadora do Cycleau, um sistema compacto que transforma águas residuais em água potável. Sua jornada de inovação começou nos Estados Unidos durante a pandemia da COVID-19, quando atuou como voluntária em campanhas locais de distribuição de alimentos e água. Lá, ela conheceu famílias que haviam perdido o acesso à água potável devido à contaminação ou a cortes no abastecimento.

Florea, nomeada Jovem Campeã da Terra 2025 pelo PNUMA, afirma que a inclusão é fundamental quando os governos tomam decisões relacionadas à água. As mulheres frequentemente gerenciam o uso doméstico da água e arcam com as consequências da escassez e do saneamento precário. Suas experiências de vida são essenciais para conhecer as necessidades da comunidade e as limitações do sistema, considerações práticas que podem melhorar o planejamento dos recursos hídricos e o projeto de tecnologias.

Seu trabalho também reconhece que o uso doméstico da água e o tratamento de águas residuais estão intimamente ligados à saúde dos rios, aquíferos e, em última instância, do oceano. Soluções que reutilizam a água com segurança e reduzem a poluição na fonte podem ajudar a proteger os ecossistemas e melhorar a segurança hídrica em todo o ciclo.

“Em última análise, construir sistemas equitativos de água e esgoto requer o mesmo que construir sistemas eficazes: informações respaldadas pela ciência, ferramentas práticas e colaboração inclusiva, para que as decisões e soluções funcionem no mundo real”, diz Florea.

A woman in a field

Construindo uma governança local inclusiva para a proteção dos rios

Cristhiane Vasconcelos é uma bióloga e empreendedora brasileira que lidera o Comitê da Bacia do Alto Araguaia em sua região natal, Barra do Garças. Por meio de várias parcerias, ela trabalha para preservar e restaurar o rio Araguaia, que sustenta sua região.

A ligação de Vasconcelos com o rio é profunda. Tendo crescido em uma comunidade de pescadores, ela mergulhou nos desafios enfrentados por aqueles que dependem dele.

Ela afirma que as normas culturais há muito tempo posicionam os homens como os principais tomadores de decisão, o que pode ser intimidador para as mulheres que ingressam na governança. Mas esse panorama está mudando, com mulheres assumindo cargos-chave em governos locais e organizações de pesquisa. No Mato Grosso, as mulheres agora ocupam importantes cargos de liderança em instituições de gestão ambiental e hídrica, ajudando a fortalecer a coordenação e facilitar a colaboração na governança da bacia.

“As mulheres agora têm voz ativa e participação significativa nos processos de tomada de decisão”, diz Vasconcelos, uma importante parte interessada local no projeto de gestão sustentável de bacias hidrográficas liderado pelo PNUMA no Brasil.

A woman talking on a microphone

Promovendo uma governança inclusiva sob a perspectiva da juventude  

Beatrice Wambui é uma ambientalista queniana especializada em redução do risco de desastres. Sua formação acadêmica proporcionou-lhe uma sólida compreensão das ligações entre as mudanças climáticas e a insegurança hídrica. Mas foi somente quando começou a trabalhar que ela percebeu algo importante: apesar de estarem entre os mais afetados pela insegurança hídrica, os jovens estavam praticamente ausentes dos processos de governança da água. Essa constatação a levou, juntamente com outros jovens líderes, a fundar a Africa Water Ambassadors, uma plataforma liderada por jovens que promove a gestão inclusiva dos recursos hídricos e impulsiona a ciência cidadã em colaboração com a Aliança Mundial pela Qualidade da Água (WWQA), convocada pelo PNUMA.

Wambui ressalta a importância de incluir as jovens na tomada de decisões, especialmente em comunidades de baixa renda sem água encanada. “Quando as mulheres fazem parte do planejamento e da gestão da infraestrutura hídrica, elas pensam no que outros podem deixar de lado: a distância que as crianças precisam percorrer [para buscar água], se o trajeto é seguro, se o custo é viável e se o sistema será mantido”, diz ela. “Para que a governança hídrica seja verdadeiramente sensível às questões de gênero, ela deve integrar as mulheres como atoras-chave nos processos de tomada de decisão em todos os níveis do setor.”

A woman in a garden

Impulsionando a mudança por meio de evidências e da ciência 

Priyanka Jamwal é uma engenheira civil indiana especializada em qualidade da água e tratamento de águas residuais. Ela também faz parte do Ashoka Trust for Research in Ecology and the Environment, uma organização sem fins lucrativos que reúne cientistas, formuladores de políticas e comunidades, e que mantém uma parceria com o PNUMA para ajudar a preservar os recursos hídricos na Índia.

Jamwal acredita que a ciência é essencial para uma restauração eficaz da água doce. Ela defende uma tomada de decisão governamental mais firme e bem informada sobre segurança hídrica, bem como ressalta que a representação das mulheres nos órgãos governamentais e nas instituições hídricas é crucial.

“Quando as mulheres são incluídas no planejamento e nas políticas, é mais provável que as questões relacionadas à água sejam reconhecidas precocemente, tratadas com seriedade e gerenciadas de forma a apoiar as famílias, além da crescente força de trabalho feminina.”

Ela também ressalta a importância da educação e da visibilidade das mulheres em funções científicas e de liderança. A presença delas não apenas fortalece o setor hoje, mas também inspira meninas e profissionais em início de carreira a seguirem caminhos na pesquisa, engenharia e políticas hídricas, construindo uma força de trabalho mais diversificada e capacitada para o futuro.