12 Feb 2020 Reportagem Nature Action

Evento internacional discute proteção de espécies migratórias

De tubarões-baleia a borboletas-monarca, muitos animais se juntam para migrar ao longo de rotas definidas em busca de comida ou área de reprodução — algumas espécies fazem isso há dezenas de milhões de anos. A gaivinha-do-ártico, por exemplo, percorre as maiores distâncias do reino animal, voando mais de 25.000 km todos os anos.

Nos últimos 150 anos, a atividade humana, a poluição e as mudanças climáticas induzidas pelo homem reduziram e alteraram habitats que por milênios permaneceram quase inalterados. Muitas espécies migratórias contam com as zonas úmidas como pontos de parada antes de chegarem a seu destino final, mas esses ecossistemas, como muitos outros, estão desaparecendo cada vez mais rápido.

Com a alteração e redução dos habitats — acredita-se que a América do Norte perdeu quase 3 bilhões de aves desde 1970, incluindo muitas migratórias —, a queda da biodiversidade atingiu um ponto crítico. "A taxa de redução de espécies está exponencialmente maior do que nos últimos 10 milhões de anos", observou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

"As apostas são altas", diz Joyce Msuya, diretora executiva adjunta do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

“As metas que estabelecemos e o nível de vontade política que mobilizarmos determinarão se atingiremos ou não os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável  — os maiores ideais estabelecidos pela humanidade. Esse é o ano em que superamos as divergências, porque a agenda da biodiversidade é uma agenda climática e a agenda climática é uma agenda da biodiversidade. A redução de espécies exemplifica essa interligação. Se destruirmos os ecossistemas e habitats necessários para a prosperidade animal, destruiremos também o nosso próprio sistema de apoio, deixando muitos dos Objetivos fora de alcance”.

Um marco inicial importante no "Super Ano" para a biodiversidade é uma grande conferência internacional e reuniões associadas sobre espécies migratórias que aconteceram entre 15 e 22 de fevereiro de 2020 em Gandhinagar, na Índia.

A chamada 13ª Reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre Conservação de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS COP13) começou em 17 de fevereiro de 2020.

A Conferência reuniu Partes da Convenção, parceiros e parceiras e especialistas científicos para enfrentar o alarmante declínio a nível mundial de animais selvagens que cruzam fronteiras nacionais, incluindo pássaros, espécies aquáticas e animais terrestres.

O tema do encontro, "Espécies migratórias conectam o planeta e juntos as saudamos em casa", ressalta a importância da ação coletiva para proteger esses animais, bem como a maneira como as espécies migratórias conectam lugares, nações e pessoas.

A reunião permitiu entender como o Marco Pós-2020 de Biodiversidade e a implementação do Plano Estratégico para Espécies Migratórias (Strategic Plan for Migratory Species 2015–2023, em inglês) podem ser de apoio mútuo.

As soluções baseadas na natureza oferecem a melhor maneira de alcançar o bem-estar humano, combater as mudanças climáticas e proteger nosso planeta. No entanto, a natureza está em crise, pois estamos perdendo espécies a uma taxa mil vezes maior do que em qualquer outro momento da história e cerca de um milhão de espécies já estão em extinção. Além de momentos importantes para os tomadores de decisão, incluindo a COP 15 sobre biodiversidade, o “Super Ano” de 2020 é uma grande oportunidade para tirar a natureza da beira do abismo. O futuro da humanidade depende de ação imediata.

A Década de Restauração de Ecossistemas 2021-2030 da ONU, liderada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura  e parceiros como a iniciativa Africa Restoration 100, o Fórum Global de Paisagens (Global Landscapes Forum, em inglês) e a União Internacional para a Conservação da Natureza, abrange os ecossistemas terrestres, costeiros e marinhos. Como um apelo global à ação, a Década reunirá apoio político, pesquisa científica e força financeira para ampliar massivamente a restauração ambiental. Ajude-nos a moldar a Década.

 

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Roberta Zandonai, Gerente de Comunicação Institucional, PNUMA, roberta.zandonai@un.org