Credit: UNEP
07 Nov 2025 Reportagem Climate Action

Seis questões que vão pautar a COP30

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À medida que o mundo se reúne em Belém, Brasil, para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), marca-se o início do que os observadores dizem ser uma década decisiva na batalha contra as mudanças climáticas.     

A COP30 está ocorrendo após dois anos consecutivos de temperaturas globais recordes e aumentos contínuos nas emissões de gases de efeito estufa. Ao mesmo tempo, as relações internacionais — tão importantes para a diplomacia climática — estão sendo tensionadas por guerras, disputas comerciais e visões divergentes sobre o futuro do sistema energético global.   

“Esta tem o potencial de ser uma das COPs climáticas mais importantes da última década”, disse Ruth Do Coutto, vice-diretora da Divisão de Mudanças Climáticas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). “Mas não há dúvida: estamos enfrentando sérios obstáculos.”   

Da redução das emissões à proteção das florestas, passando pelo fortalecimento do financiamento para adaptação e dos sistemas de alerta precoce, aqui estão seis questões que os delegados deverão abordar em Belém.   

1. Como evitar o aquecimento global descontrolado 

Apesar de alguns progressos, a última rodada de planos climáticos nacionais ainda está muito aquém do necessário para evitar os piores efeitos das mudanças climáticas. O Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2025 do PNUMA, divulgado na véspera da COP30, mostra que os compromissos atuais colocam o mundo em um caminho de aquecimento de 2,3 a 2,5 °C até o final do século. É muito provável que ultrapassemos 1,5 °C na próxima década — a prioridade agora é manter essa ultrapassagem na menor escala e duração possível.  

Assim, os países da COP30 estarão sob pressão para mostrar como irão limitar essa ultrapassagem e realizar cortes mais profundos nas emissões, especialmente em setores de alta emissão, como energia, indústria e transporte. 

2. Como proteger as comunidades dos impactos climáticos 

Assim como nas COPs anteriores, Belém se concentrará em como os países podem se preparar para as condições climáticas extremas e o aumento do nível do mar que acompanham as mudanças climáticas.  

Os países em desenvolvimento precisarão de mais de US$ 310 bilhões por ano até 2035 para se adaptarem a essas consequências climáticas. Atualmente, eles têm acesso a apenas uma pequena fração desse total, segundo o Relatório sobre a Lacuna de Adaptação 2025 do PNUMA.  

Investir em preparação não é apenas a coisa certa a fazer, mas também é rentável. Cada dólar investido em sistemas de alerta precoce pode economizar até quinze dólares em perdas evitadas. O chamado compromisso de Glasgow de dobrar o financiamento para adaptação expira este ano, tornando essencial que a COP30 estabeleça uma meta global nova e confiável para o financiamento da adaptação e a estrutura de indicadores para a Meta Global de Adaptação. 

3. Como cumprir uma promessa de um trilhão de dólares  

Nos dias que antecederam a COP30, o Azerbaijão, que sediou a COP29, e o Brasil apresentaram um roteiro para mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano em financiamento climático para países em desenvolvimento até 2035.  

Os escassos fundos públicos devem ser usados para atrair capital privado em escala para mitigação e adaptação nos países em desenvolvimento. Os países desenvolvidos devem liderar por meio da reforma dos bancos multilaterais de desenvolvimento, soluções eficazes para a dívida e instrumentos que atraiam investimentos privados em grande escala — transformando promessas financeiras em fluxos financeiros.  

4. Como alavancar soluções criativas para a crise climática 

A COP30 destacará os compromissos de várias iniciativas inovadoras para combater as mudanças climáticas.  

Isso inclui o Mutirão Contra o Calor Extremo (Beat the Heat Implementation Drive), liderado pela Presidência brasileira da COP30, e a Cool Coalition, liderada pelo PNUMA. Esse esforço emblemático foi projetado para apoiar soluções locais para o calor extremo e ampliar o uso de soluções sustentáveis de resfriamento (telhados frios, espaços verdes urbanos, sistemas de alerta precoce). Ao mesmo tempo, o “Bairro do Mutirão para Cidades, Água e Infraestrutura” do Brasil na COP30 mostra como o design inteligente e os sistemas circulares podem resfriar, conservar e conectar comunidades.  

O PNUMA, em conjunto com seus parceiros, lançará o Food Waste Breakthrough, um plano de cinco anos para governos, cidades, empresas do setor alimentício e partes interessadas com o objetivo de reduzir em 50% o desperdício de alimentos, evitando que eles sejam enviados para aterros sanitários, o que resultará em uma redução de até 7% das emissões globais de metano.   

Por fim, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, um mecanismo oportuno e transformador que paga aos países para manter as florestas em pé por meio de financiamento misto. Trabalhando em conjunto com o REDD+ jurisdicional, ele pode fornecer mais da metade do financiamento necessário para proteger e conservar as florestas tropicais do mundo e as comunidades que dependem delas.    

Esses lançamentos fazem parte de um esforço maior da COP30 para traçar um caminho rumo a um futuro sustentável e mais resiliente.   

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Francisca Arara, chefe da Secretaria dos Povos Indígenas do Acre, afirma que os grupos indígenas estão prestando um “serviço ao mundo” ao combater o desmatamento, considerado crucial para limitar as mudanças climáticas. Crédito: PNUMA/Florian Fussstetter 

5. Como garantir transições justas e inclusivas   

Os benefícios econômicos das ações climáticas nunca foram tão robustos: as energias renováveis oferecem a eletricidade de menor custo do planeta e permitem que os países protejam suas economias dos mercados voláteis de combustíveis fósseis, ao mesmo tempo em que proporcionam empregos, crescimento e melhor saúde.   

Combater poluentes climáticos de curta duração, como o metano, o segundo maior contribuinte para o aquecimento global depois do CO₂, pode reduzir o aumento da temperatura global, combater a poluição do ar e apoiar significativamente os esforços de descarbonização a um custo muito baixo, especialmente no setor de petróleo e gás.   

No entanto, precisamos garantir que os trabalhadores, as comunidades vulneráveis afetadas pelas mudanças climáticas e as regiões dependentes de indústrias de alto carbono não sejam deixados para trás.    

Espera-se que a COP30 tome uma decisão sobre a proposta do Mecanismo de Ação de Belém para uma Transição Justa. Esse trabalho articulará como os governos e o setor privado podem colocar as pessoas no centro das transições nacionais e setoriais. Isso inclui a criação de empregos e a formação de trabalhadores, bem como estratégias de diversificação no planejamento e investimento climáticos.   

6. Como recuperar o entusiasmo de Paris  

Quando o Acordo de Paris foi adotado em 2015, trouxe consigo a esperança de que a humanidade pudesse reverter a situação das mudanças climáticas. Sem ele, estaríamos caminhando para um aquecimento de 3 a 3,5 °C. Hoje, estamos mais próximos de 2,3 a 2,5 °C. Este último valor ainda pode ser devastador para bilhões de pessoas em todo o mundo. É por isso que muitos afirmam que a COP30 deve reacender o espírito da histórica COP21 de 2015 em Paris, dando início a uma “década de resultados” em que os compromissos climáticos se transformam em ações concretas.  

“Ainda há tempo para a humanidade evitar os piores impactos das mudanças climáticas”, afirmou Do Coutto, do PNUA. “Mas precisamos agir agora e precisamos agir com determinação, assim como fizemos há uma década.”