Escondida entre as montanhas esmeralda da região dos Planaltos do Togo, Atakpame, uma cidade de 80 mil habitantes, é conhecida como a "cidade das sete colinas." Famosa por suas florestas exuberantes de teca, bananeira e mogno, a região também se tornou um ponto crítico do alarmante desmatamento do Togo – o país já perdeu quase 49 mil hectares de florestas entre 1985 e 2013.
A situação começou a mudar em 2019, quando os moradores de Atakpame, com apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e financiamento do Serviço Florestal da Coreia, começaram a plantar árvores na tentativa de salvar os frágeis ecossistemas montanhosos da região.
"Quando você olha para nossas montanhas agora, vê que elas estão mais escuras por causa das árvores – elas ficaram mais bonitas. Animais selvagens retornaram e temos chuvas melhores", diz Mensah Agouti, morador de Atakpame, que participa do projeto desde 2019. Para Agouti e sua comunidade, a floresta não é apenas uma característica distinta da paisagem da região – seus meios de subsistência dependem diretamente dela.
Togo é um dos sete países africanos que se beneficiaram do projeto liderado pelo PNUMA, que ajudou a restaurar 949 hectares de terras degradadas, aumentar a biodiversidade e ajudar as comunidades locais a gerarem renda sustentável graças ao apoio financeiro do Serviço Florestal da Coreia.
"As florestas são o estímulo das comunidades por toda a África", diz Patricia Kameri-Mbote, chefe da Divisão de Direito do PNUMA. "Plantar árvores e restaurar a biodiversidade não apenas protege o meio ambiente natural – ajuda a aumentar a produção agrícola e garantir meios de subsistência. Um dos nossos objetivos era garantir que as pessoas pudessem contar com uma fonte de renda sustentável."
Entre 2010 e 2020, o continente africano registrou a maior taxa de desmatamento do mundo, com aproximadamente 3,9 milhões de hectares de floresta desaparecendo anualmente. Essa perda levou a consequências sociais, econômicas e ambientais para as comunidades africanas, que dependem dos ecossistemas para lenha, alimentação, remédios e renda.
Em todo o continente, o desmatamento agravou as mudanças climáticas, já que as florestas desempenham um papel crucial na garantia de padrões de chuva estáveis e previsíveis. No Sahel, uma região semiárida que faz fronteira com o Deserto do Saara, essas realidades são especialmente duras.
No Níger, por exemplo, a perda de florestas resultou em períodos mais longos de seca, aumento das temperaturas e agravamento da insegurança alimentar. As secas se tornaram mais frequentes, e as comunidades economicamente mais desfavorecidas estão pagando o preço mais alto.
Realidades econômicas duras frequentemente impulsionam o desmatamento na África. Muitas comunidades vulneráveis veem o desmatamento ilegal como sua única fonte de renda, sem saber o impacto prejudicial a longo prazo que o desmatamento terá em sua segurança econômica.
Em Gana, o projeto ajudou a manter 40 hectares de coqueiros e novas plantações, impulsionando as colheitas. No Níger, os agricultores receberam apoio para aumentar a produção de moringa e cebola – ambas culturas valiosas nos mercados local e internacional.
Além de apoiar as economias locais, as árvores ajudam a melhorar a saúde e a qualidade de vida das pessoas. Cinquenta hectares do cinturão verde na capital do Níger, Niamey, foram restaurados graças ao projeto do PNUMA. O esforço ajudou a estabilizar os solos e a conter o deserto. Também é fundamental melhorar a qualidade do ar e reduzir o calor.
Para combater a escassez de água em áreas afetadas pelo desmatamento, as comunidades participantes do projeto têm usado águas residuais tratadas para irrigar mudas e terras secas verdes. ra irrigar mudas e terras secas verdes.
"A participação ativa das comunidades as capacitou a assumir a responsabilidade por seus recursos ambientais e criar oportunidades econômicas para um futuro mais sustentável. Estamos orgulhosos do que eles conquistaram", diz Kameri-Mbote.
Aproveitando as oportunidades oferecidas pelo projeto, comunidades no Togo replantaram 120 hectares de florestas e instalaram cercas para proteger árvores jovens de incêndios florestais e animais abandonados. Eles também restauraram 49 hectares de terras degradadas. Esses esforços foram fundamentais para melhorar significativamente a qualidade do solo, melhorar a conservação do solo e aumentar a biodiversidade, trazendo esperança para um futuro mais verde e próspero.
Fico dizendo às pessoas que precisamos continuar replantando nossa floresta e protegendo-a", diz Agouti. "Esse projeto nos ajudou muito. Agora me deparo com animais que não vejo há muito tempo. Estamos redescobrindo nossa floresta e podemos ensinar nossos filhos a viverem em harmonia com ela."


